Dr. Endrigo M.S. Prevedello
Especialista em Acupuntura - RQE 16492
Prática integrada com conhecimentos de Medicina Chinesa, fisiologia, metabolismo, alimentação, fitoterapia, Medicina Funcional Integrativa e Ciências da Longevidade




(nos Planos de Saúde apenas a acupuntura é coberta)
Medicina Chinesa integrada à Medicina Moderna
Durante muito tempo, Medicina Chinesa e Medicina Moderna foram apresentadas como se fossem formas concorrentes de compreender a saúde.
Não precisam ser.
A Medicina Moderna oferece recursos extraordinários para compreender anatomia, fisiologia, bioquímica, genética, metabolismo, processos inflamatórios e mecanismos de doença.
A Medicina Chinesa, por outro lado, desenvolveu ao longo de séculos uma forma própria de observar padrões, relações entre sinais e sintomas, constituição, hábitos, ambiente e manifestações que nem sempre aparecem de maneira isolada.
Quando essas duas formas de conhecimento dialogam adequadamente, surge uma visão clínica mais ampla.
O exame não substitui o paciente. E o paciente não substitui o exame.
Exames laboratoriais, de imagem e outros métodos diagnósticos são ferramentas importantes para compreender o que acontece no organismo.
Mas saúde não pode ser reduzida aos números de um exame.
Existem alterações importantes que podem evoluir durante algum tempo praticamente sem sintomas. Da mesma maneira, existem pessoas com sintomas significativos cujos exames convencionais permanecem dentro dos intervalos de referência.
Por isso, acredito que a avaliação deva reunir diferentes níveis de informação:
história clínica, exame físico, sinais e sintomas, exames complementares, hábitos, alimentação, sono, movimento, aspectos emocionais e, quando pertinente, os padrões reconhecidos pela Medicina Chinesa.
Não para transformar tudo em uma única teoria, mas para utilizar cada ferramenta onde ela é mais útil.
Medicina Chinesa em um modelo de cuidado integrado
A Medicina Chinesa pode ser exercida em um modelo de cuidado integrado, com a participação de diferentes áreas multiprofissionais. Essa forma de organização está presente em contextos tradicionais do Oriente, nos quais médicos, profissionais especializados em práticas terapêuticas, nutricionais, corporais e farmacêuticas atuam de maneira complementar, de acordo com sua formação e suas atribuições.
Para que essa integração ocorra com segurança, é necessário que os profissionais envolvidos tenham conhecimento amplo sobre os fundamentos da Medicina Chinesa, seus métodos de avaliação, suas possibilidades terapêuticas e seus limites de atuação.
A participação multiprofissional não substitui o diagnóstico médico, a indicação terapêutica, a avaliação de riscos ou a responsabilidade clínica pelo caso.
Um fisioterapeuta pode acrescentar uma análise qualificada dos aspectos funcionais e do movimento.
Um nutricionista pode contribuir na avaliação da alimentação e do comportamento alimentar.
Um farmacêutico pode colaborar em questões relacionadas a medicamentos, plantas medicinais e possíveis interações, dentro de suas atribuições.
Outros profissionais podem oferecer conhecimentos específicos de suas áreas, sem substituir as atribuições próprias do médico ou ultrapassar os limites de sua formação e habilitação profissional.
Nesse modelo, a Medicina Chinesa pode e deve ser assessorada por diferentes áreas, permitindo que os profissionais atuem em conjunto, com comunicação adequada, delimitação clara de responsabilidades e respeito às normas éticas e legais de cada profissão.
A supervisão médica estabelece uma referência clínica para a avaliação do paciente, a investigação diagnóstica, a indicação dos tratamentos, o acompanhamento da evolução e a identificação de situações que exijam encaminhamento ou mudança de conduta.
Isso não transforma os demais profissionais em médicos nem autoriza o exercício de práticas para as quais não estejam habilitados.
Significa organizar o cuidado de forma integrada, reunindo diferentes conhecimentos em benefício do paciente, sob supervisão médica e dentro das competências, responsabilidades e limites profissionais de cada área.
A integração multiprofissional amplia a compreensão do paciente e permite que cada profissional contribua com seu conhecimento específico, preservando a segurança, a responsabilidade médica e os princípios da Medicina Chinesa.
Então qual é o papel do médico?
É importante distinguir duas coisas que muitas vezes são confundidas: tratar um padrão terapêutico e investigar uma doença.
Uma dor de cabeça pode ser abordada por diferentes estratégias terapêuticas. Mas também pode ser manifestação de dezenas de condições diferentes.
Uma fadiga pode estar associada ao sono, à alimentação ou ao comportamento. Mas também pode acompanhar anemia, alterações hormonais, doenças metabólicas, infecciosas, autoimunes ou outras condições clínicas.
É nesse ponto que a avaliação médica assume um papel particularmente importante.
O médico pode realizar diagnóstico nosológico, formular diagnósticos diferenciais, solicitar e interpretar exames dentro da investigação clínica, avaliar medicamentos, identificar sinais de alerta e investigar mecanismos fisiopatológicos que precisam ser reconhecidos antes ou durante um tratamento.
Na minha forma de trabalhar, portanto, o médico não precisa substituir os demais profissionais.
Pode funcionar como um dos elementos de integração do cuidado.
Supervisão não significa subordinação
Também não acredito que uma equipe verdadeiramente integrativa deva funcionar simplesmente com várias profissões executando ordens médicas.
Cada profissão possui conhecimentos, responsabilidades e limites próprios.
O que considero particularmente interessante é um modelo no qual exista comunicação entre os profissionais e, nos casos que exigem investigação médica, uma coordenação clínica capaz de reunir essas informações.
Há uma diferença importante entre hierarquia e responsabilidade clínica.
Quando existem sintomas ainda sem diagnóstico, sinais de alerta, doenças crônicas complexas, uso simultâneo de medicamentos, alterações laboratoriais ou múltiplas condições coexistentes, a presença do médico permite investigar questões que ultrapassam o escopo terapêutico de outras áreas.
Depois disso, diferentes profissionais podem participar do tratamento dentro de suas competências.
Esse é, para mim, um modelo muito mais inteligente de assistência.
A Medicina Chinesa é muito maior do que a agulha
Outro equívoco comum é tratar Medicina Chinesa e acupuntura como sinônimos.
A acupuntura é apenas uma de suas ferramentas.
Historicamente, esse sistema envolve também observação do estilo de vida, alimentação, práticas corporais, recursos tradicionais relacionados às plantas, técnicas manuais e diferentes formas de estímulo terapêutico.
Por isso, acredito que seu maior potencial apareça justamente quando deixamos de enxergá-la como uma técnica isolada.
Uma agulha pode produzir um estímulo.
Mas compreender por que aquele paciente adoeceu, quais fatores mantêm sua condição e o que precisa ser modificado para recuperar sua capacidade de adaptação é uma pergunta muito maior.
Tratar o sintoma ou compreender o processo?
Na doença aguda, muitas vezes identificar o problema e interromper rapidamente o mecanismo responsável é exatamente o que precisamos fazer.
Nas doenças crônicas, entretanto, a situação costuma ser diferente.
Quando um problema persiste por meses ou anos, frequentemente existem múltiplos fatores contribuindo para sua manutenção.
Por isso, além de perguntar:
“O que pode aliviar este sintoma?”
costumo acrescentar outra pergunta:
“O que está fazendo este organismo continuar produzindo esse problema?”
Essa mudança aparentemente simples transforma a maneira de investigar o paciente.
É nesse território que procuro aproximar Medicina Chinesa, fisiologia, metabolismo, Nutrologia, Medicina Funcional Integrativa, fitoterapia e os recursos da Medicina Moderna.
Não se trata de escolher entre Oriente e Ocidente.
Trata-se de utilizar diferentes mapas para compreender melhor o mesmo ser humano.
Integrar não significa misturar tudo
Medicina Integrativa não deveria significar reunir indiscriminadamente tratamentos diferentes.
Integrar exige critério.
Algumas situações precisam de medicamentos.
Outras podem responder a mudanças alimentares ou comportamentais.
Algumas podem se beneficiar da acupuntura.
Outras exigem investigação diagnóstica antes de qualquer intervenção.
E existem situações nas quais uma abordagem simples pode ser mais adequada do que uma intervenção complexa.
O objetivo não deveria ser utilizar o maior número possível de tratamentos.
Deveria ser compreender o problema suficientemente bem para escolher a intervenção mais adequada, proporcional e segura.
Essa é a medicina integrativa em que acredito:
mais investigação quando é necessário investigar, mais simplicidade quando é possível simplificar e diferentes profissionais trabalhando juntos quando o paciente precisa de diferentes competências.
